Outubro assinala o Mês Europeu da Cibersegurança. Em 2026, proteger uma organização tornou-se mais complexo. Cloud, fornecedores, identidades, APIs e Inteligência Artificial multiplicaram os sistemas, acessos e dependências que fazem parte da operação diária das empresas. Com eles, cresceu também a superfície que precisa de ser protegida.
Uma aplicação na cloud. Um fornecedor com acesso a um sistema interno. Uma conta com permissões antigas. Uma API que liga duas plataformas. Um agente de IA autorizado a consultar informação empresarial.
Todos fazem parte da superfície de ataque.
O ENISA Threat Landscape 2026, publicado em setembro, chama precisamente a atenção para o peso crescente destas dependências digitais na segurança das organizações europeias.
Os números ajudam a perceber a dimensão do desafio: em 2025 foram publicadas mais de 48.000 novas vulnerabilidades identificadas por CVE, um aumento de 22% face ao ano anterior.
Entre a atividade analisada pela ENISA com motivação financeira, o ransomware representou 40%, seguido das violações de dados, com 31%, e da fraude e impersonation, com 19%.
A questão para as empresas começa antes do ataque: conhecem realmente tudo aquilo que precisam de proteger?
A infraestrutura empresarial está distribuída por aplicações cloud, dispositivos, fornecedores, plataformas SaaS e sistemas internos.
Neste contexto, a identidade tornou-se um dos elementos centrais da segurança.
Uma credencial comprometida pode permitir o acesso a email, documentos e aplicações empresariais. Uma conta com privilégios excessivos pode aumentar significativamente o impacto desse acesso.
Autenticação multifator, privilégio mínimo, revisão de permissões, segmentação e princípios de Zero Trust respondem a uma necessidade concreta: garantir que cada identidade tem acesso aos recursos necessários, durante o período em que esse acesso é necessário.
Esta questão ganha uma nova dimensão com a Inteligência Artificial.
Imagine um colaborador que precisa de preparar um relatório. Consulta três sistemas, recolhe informação e cruza os dados manualmente.
Um agente de IA com acesso aos mesmos sistemas consegue executar grande parte desse processo em segundos.
A mesma velocidade que aumenta a produtividade pode ampliar as consequências de uma permissão mal configurada.
Um agente com privilégios excessivos consegue consultar mais informação, executar mais ações e interagir com vários sistemas de forma autónoma. A ENISA identifica também uma utilização crescente de IA por grupos maliciosos, incluindo na automação de atividades e na engenharia social.
Por isso, a adoção empresarial de IA deve incluir questões de segurança desde o início:
A que dados pode aceder? Que sistemas pode consultar? Que ações pode executar? Que identidade utiliza? As suas ações ficam registadas?
Estas perguntas serão cada vez mais relevantes à medida que os agentes de IA ganham autonomia dentro das organizações.
Outubro pode ser uma boa oportunidade para avaliar cinco pontos:
A cibersegurança em 2026 exige visibilidade sobre uma infraestrutura muito mais interligada.
Saber quem acede a quê, através de que sistema, com que permissões e com que capacidade para agir tornou-se uma das bases para reduzir exposição e responder mais depressa quando algo corre mal.
Outubro coloca o tema na agenda. A segurança constrói-se durante todo o ano.
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